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Graxa para Rolamentos: como selecionar uma graxa

Uma graxa inadequada para uma determinada aplicação pode ter efeito negativo sobre a vida em serviço do rolamento. É muito importante selecionar uma graxa que tenha uma película de óleo com suficiente capacidade de carga entre os corpos rolantes e pistas sob certas condições de trabalho.

Na maioria dos casos, não é difícil selecionar uma graxa para rolamentos, já que as qualidades padronizadas cobrem uma ampla gama de aplicações. Quando for preciso uma seleção mais exata, há que se levar em consideração:

  • Condições de carga sob a qual está submetido o rolamento;
  • Faixa de velocidade;
  • Condições de funcionamento tais como: vibrações e orientação do eixo (horizontal ou vertical);
  • Condições de refrigeração;
  • Eficácia de vedação;
  • Ambiente externo;
  • Em determinados campos de aplicação, podem ser requeridas normas especiais.

O MÉTODO CORRETO

Depende do desenho do rolamento e seu alojamento. Os rolamentos podem ser divididos em duas categorias: separáveis e não separáveis. Os alojamentos podem ser inteiriços ou bipartidos.

ROLAMENTOS SEPARÁVEIS

Neste grupo estão incluídos os rolamentos de rolos cilíndricos, rolamentos de rolos cônicos e todos os axiais. Estes rolamentos podem ter suas partes engraxadas separadamente e na ordem determinada pela sequência de montagem.

Depois de montado o primeiro anel, lubrificar os espaços inteiros com graxa e engraxar o anel. Se há uma gaiola com esferas ou rolos, há necessidade de se assegurar que todos os espaços entre os corpos rolantes e a gaiola estejam bem cheios.

No caso do anel separável, é suficiente engraxá-lo ligeiramente, de forma que não sofra danos quando o outro anel (com a gaiola com rolos ou esferas) é montado sobre ele.

tipos de rolamentos - graxa para rolamentos - conecta fg - fg

Alguns tipos de rolamentos separáveis.

Importante! Use luvas de proteção quando manusear lubrificantes. Há risco de reações alérgicas se houver contato direto com produtos derivados de petróleo.

Em rolamentos axiais (exceto os rolamentos axiais autocompensadores de rolos que normalmente são lubrificados a óleo) a gaiola com os corpos rolantes pode ser separada, geralmente, do anel de eixo ou de caixa.

Por isso, a montagem é feita em três etapas. Neste caso, somente o conjunto de gaiola com as esferas ou rolos recebem graxa. Certamente qualquer espaço exterior aos anéis deve também ser preenchido com graxa.

ROLAMENTOS NÃO SEPARÁVEIS

Rígidos: são os rígidos de esferas (com ou sem vedação ou proteção) e alguns de esfera de contato angular. Os rolamentos rígidos devem ser preenchidos com graxa por ambos os lados.

Autocompensadores: incluem os radiais autocompensadores de esferas e de rolos; nestes rolamentos, podemos oscilar o anel interno em relação ao anel externo de modo que os corpos rolantes fiquem expostos e a graxa possa ser introduzida em todos os espaços entre eles.

ALOJAMENTO: CAIXA BIPARTIDA

Neste caso, primeiro monte o rolamento no eixo e preencha-o imediatamente com graxa. Depois o eixo com seus rolamentos é colocado na posição correta.

Agora os espaços livres dos alojamentos também são preenchidos com graxa. Sempre se certifique que estes espaços estejam limpos antes da aplicação de graxa.

QUANTIDADE DE GRAXA A SER COLOCADA NO MANCAL:

Até 30 r.p.m: Completo.
Abaixo de 50% do limite de rotação: 1/2 a 2/3 do espaço livre.
Acima de 50% do limite de rotação: 1/3 a 1/2 do espaço livre.

 ALOJAMENTO: CAIXA INTEIRIÇA

Primeiramente é colocado o vedador interno e, então, o espaço interno do alojamento é preenchido com graxa em quantidades proporcionais à profundidade do assento do rolamento.

Se o rolamento é do tipo rígido, preencha-o pelo lado em que possa introduzir a graxa. Se necessário, use as próprias mãos, porém com luvas de proteção. Caso contrário, a sujeira pode ficar depositada na graxa e chegar ao rolamento, provocando danos ao mesmo.

Certifique-se que todos os espaços internos estão preenchidos. Faça com que o excesso de graxa saia pela face externa. Isto pode proteger contra as impurezas durante o funcionamento. Monte o rolamento e retire o excesso de graxa com uma espátula limpa.

Preencha de novo os espaços livres do lado externo do alojamento. Se o rolamento tiver que ser montado com interferência sobre o eixo, engraxe depois da montagem.

DURAÇÃO DA GRAXA

O tempo que um rolamento lubrificado com graxa opera satisfatoriamente sem relubrificação depende do tipo, tamanho, velocidade de rotação e temperatura de trabalho do rolamento, do ambiente, disposição dos vedadores e tipo de graxa.

Para rolamentos pequenos, especialmente os rígidos de esferas, a duração de graxa é tão prolongada, em muitos casos, que não é necessária relubrificação. Em tais casos, podem ser adequados os rolamentos de esferas lubrificados “para vida”, com placas de proteção ou vedação.

INTERVALO DE RELUBRIFICAÇÃO EM HORAS DE FUNCIONAMENTO

Vamos a exemplificar: um rolamento rígido de esferas cujo diâmetro interno é de 100 mm gira a 1.000 r/min.. Sua temperatura de trabalho varia entre 60 e 70° C. Qual será o intervalo de relubrificação?

Trace uma vertical desde o valor de 1.000 r/min. no eixo horizontal até interceptar a curva de d=100 mm. Siga então, deste ponto de intersecção em uma linha horizontal até chegar à escala do eixo vertical (coluna tfa para rolamentos radiais de esferas) e encontrará o valor de 10.000 horas para o período de relubrificação.

  • Tfa: Rolamentos radiais de esferas.
  • Tfb: Rolamentos de rolos cilíndricos, rolamentos de agulhas.
  • Tfc: Rolamentos autocompensadores de rolos, rolamentos axiais de esferas, rolamentos de rolos cilíndricos com o máximo de rolos (0,2 tfc), rolamentos axiais de rolos cilíndricos (0,5 tfc).
tabela quantidade de graxa - graxa para rolamentos - conecta fg - fg

Tabela para determinar o intervalo de relubrificação de rolamento, levando em consideração o diâmetro interno e rotação.

QUANTIDADE DE GRAXA

A princípio, somente a graxa contida no rolamento é que deve ser substituída. A quantidade de graxa nova deve ser adequada ao rolamento. A quantidade de graxa vem indicada nas instruções de lubrificação do equipamento, se elas existem. Se não existir, a quantidade poderá ser indicada pela fórmula G = 0,0005 x D x B:

  • G = quantidade de graxa, em gramas
  • D = diâmetro externo do rolamento, em mm
  • B = largura do rolamento, em mm (=H, para rolamentos axiais)

Exemplificando:

Q = 0,005 x 86 (mm de largura) x 260 (mm de diâmetro externo) = Q = 111,8gr. Ou seja, aproximadamente 112 a 115 gramas de graxa.

Quer saber mais sobre Rolamentos? Leia nosso artigo técnico sobre os Componentes e Materiais típicos de um Rolamento. Deixe seu comentário e compartilhe seu conhecimento com a gente.